Capítulo 01
Minha única alternativa era correr, acelerar o carro bem rápido para que eles não pudessem me pegar. Meu pé só pisava no acelerador. Cem, cento e vinte e ia subindo. Eu corria, eles também, viravam a esquerda, direita, entrava e saia de esquinas e ruas desertas. O movimento em uma certa avenida era constante, não tinha como parar, e minha única alternativa foi atravessar na frente dos carros – nossa, aquilo era super empolgante – corria, corria mesmo e eles nunca paravam de me perseguir.
Passei por aquela avenida infernal e cheguei em uma rua aparentemente deserta e totalmente esburacada. Aumentei a velocidade para cento e oitenta e eles continuaram correndo atrás de mim, até que, na frente da entrada de uma imensa floresta, o pneu do meu carro furou. Eu desci correndo e eles aproveitaram para atirar em minha direção, mas nenhum tiro pegou. Eu adentrei na floresta e corria por entre as árvores e riachos. Ninguém por perto, apenas os animais. Percebi que não tinha mais ninguém atrás de mim e parei em frente a um riacho. Bebi um pouco d’água – estava morrendo de sede – e depois me joguei, deixei a correnteza me levar para onde fosse, não tinha nenhum destino. No meio da água, adormeci.
Acordei umas três horas depois bem longe do local que havia adormecido. Me levantei e lavei o rosto com a água morna e continuei a pé. Caminhei mas ou menos uns cinco quilômetros até chegar em uma pacata cidade que eu nem sabia o nome. Não havia nenhum movimento de carros, apenas motocicletas e bicicletas. Continuei meu caminho e decidi checar minhas economias. Tinha algumas notas de cinco e dezenas de moedas de dez centavos. Parei. Olhei para o lado e vi uma lanchonete – estava com muita fome – entrei nela e comprei um hot-dog. Enchi de maionese e comi com algumas mordidas.
- Esta com fome mesmo... – um rapaz se aproximou de mim e sentou-se à mesa em que eu estava.
Nem dei atenção, continuei abocanhando meu hot-dog.
- Você não é de muitas palavras – ele insistia em encher meu saco – qual o seu nome?
- Dá para me deixar em paz – me levantei – estou cheia de problemas.
- Qual seu nome?
- Lali... E o seu?
- Peter.
Ele apertou minha mão e eu fui saindo. Ele me segurou pelo braço e me puxou de volta.
- Quais são os problemas que você tem?
- Aqueles que não são do seu interesse.
Soltei-me e sai. Ele me seguiu até uma esquina, que foi onde eu percebi a presença insuportável dele.
- Você é algum tipo de maníaco? – perguntei.
- Claro que não, apenas fui com a sua cara – riu – você tem namorado?
- Não.
- Precisa de um companheiro?
- Também não! Agora vê se para de me seguir, está bom?
Continuei meu caminho, deixei o Peter ali, naquela esquina, me observando até eu sumir do ponto de vista dele.
Em passos rápidos, cheguei a uma rua de comercio – nossa, quantas lojas e era naquela mesma pacata cidade – concerteza aquilo era um bairro pacato, pois era bem grandinha para ser apenas uma cidadezinha do interior.
Entrei em uma loja de roupas decidida a mudar meu figurino, fui direto à sessão de vestidos e peguei com lindo! Vermelho com detalhes dourados e um cinto.
- Custa bem caro. – uma voz que me parecia familiar – Quer que eu pague para você?
- Quem é... – olhei para o lado e vi o Peter – você é louco? Me seguiu até aqui?
- Eu gostei de você, e sou capaz de ir até o fim do mundo.
- Nossa, que tocante! – fui irônica.
- Pegue e experimente, se gostar, eu pago para você.
- Hum... Vamos ver... Tá bom! – fui até o provador.
- Ei! – ele me abordou – Aqui é uma cidade grande e eu moro em um bairro pacato.
- Que fascinante! – estava me tornando expert em ironia.
Provei o vestido e deu certinho em mim. Sai do provador e o Peter estava com um buquê de flores nas mãos.
- Para quem é isso? – perguntei.
- Para você, é claro – ele me deu o buquê e eu o entreguei o vestido.
- Obrigada. Pode levar o vestido para o caixa, coube direitinho em mim.
Ele foi para o caixa e voltou em poucos minutos.
- Quer comer algo? Descansar?
- Descansar.
- Vamos para um hotel, eu também pago.
- Claro.
Seguimos para um hotel do outro lado da rua. Chegamos no quarto e eu me joguei na cama.
- Eu vou tomar um banho.
- Só não faz barulho.
Ele foi para o banheiro e voltou dez minutos depois enrolado em uma toalha. Nossa! Que corpo escultural.
- Não fiz barulho algum – virou de costas para mim e desceu a toalha – durma um pouco – começou a vestir-se.
- Claro. Não quer vir dormir comigo?
- Não. Não estou com sono.
Dormi pensando no corpo dele, e ele ali, ao meu lado sentado na cama me observando.
Autora: Patrícia
Autora: Patrícia
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